Referência da arte nipo-brasileira, Yoshiya Takaoka (1909–1978) fez do desenho um campo de precisão e economia. Em 1975, a Editora Cultrix reuniu o portfólio “Cavalos – dez desenhos de Y. Takaoka”, com texto de Matias Arrudão, celebrando o mestre do traço contido e do uso eloquente do vazio. Folhas que preservam o gesto direto, a tinta diluída e a observação disciplinada — encontro entre tradição oriental e olhar moderno.
Nesta prancha horizontal, dois cavalos descrevem movimentos contrários, criando um círculo visual de tensão e equilíbrio. As lavagens de nanquim constroem volumes leves; acentos escuros nas crinas e nas patas marcam o pulso do salto. O contorno é mínimo — é o respiro do papel que sustenta a velocidade e a distância entre as figuras. Síntese clara: impulso e controle, sem ruído.